segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Recomeçar.

Um dia ela voltou e trouxe consigo algumas velhas memórias, histórias que a gente guardou no passado. Lembranças de um tempo que eu guardei bem, no peito.
As vezes se perdeu em ruas desertas pela trajetória, vagou no perigo em meio aos becos, talvez juntou inimigos mesmo que por dentro.

Mas eu espero que você fique bem, só espero que você fique bem e digo de braços abertos.

Vem e trás contigo umas palavras pra cantar, dança pro perigo sem ter medo de chorar e se cair lembra que tem alguém aqui.Vem, me diz que passou aquela dor que um dia te feriu, me conta que o mundo está melhor do que você já viu. É sempre tempo de recomeçar..

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Nota sobre a terra das laranjas.

Estranho... Talvez seja a palavra que melhor traduza isso tudo. Me pego feito uma criança. A calmaria dessas ruas não servem de exemplo para falar sobre o que bate em meu peito vão - há anos as coisas não iam assim. Tenho tanto pra dizer, talvez palavras não te façam entender - e na verdade elas me faltam nesse momento. Nunca desejei tanto um colo quanto ao dessa garota. Seus olhos, seu sorriso, o jeito com que fala, as mãos geladas, a pele macia, as risadas juntos e até mesmo vossa bipolaridade. Cheguei com medo, borboletas no estômago, e de trilha sonora aquela música que tanto fala sobre Nós. Duvidastes de mim, dizendo que achas que não voltarei mais, mas o único lugar para o qual não quero voltar agora é o lugar que chamo de lar. Tanto tempo depois e me sinto em casa - diz pra mim, como pode? Como faço se o único lugar em que penso em morar é em seus braços...? Tanto me confortam. Me dá o calor que me faltava, as caricias que me encantam, os beijos que me provocam. Penso em largar tudo, casa quente e comida feita, só pra ficar aqui. Hão de me julgar, dizer que sou tolo e que estou me metendo em uma cilada, mas a única coisa em que consigo pensar é sobre ela - estou errado? Tenho vontade de gritar pra ela largue tudo e vem morar comigo, vamos viver de amor.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A carta aberta do último tripulante.

Há dias que me pego vagaroso em memórias. A tempestade lá fora vem me trazendo pesadelos... Tive insônia na noite passada, seguida de náuseas e uma dúzia de sentimentos ruins. Bebo para me salvar de tamanha turbulência, mas nem mesmo minha garrafa de rum favorita segurou esse maldito enjôo. Rezo para que consiga chegar ai onde o chão é de terra, terra firme. Sinto falta de me deitar sobre a grama e sentir o calor do sol em meu rosto, não suporto mais comer peixe e tomar dessa água salubre. Vou aportar o meu navio na porta da sua casa pra quem sabe daqui algum tempo nós tenhamos um pomar. Sinto falta de seus beijos, do abraço apertado e da cama quente que não tremula sobre as onde enquanto dormimos juntos. Maldito seja eu mesmo pelo dia que me submeti a essa embarcação. Não queria te contar, mas as coisas não vão bem. Meus homens cansaram de lutar contra as forças Iemanjá. Vejo corpos por todos os lados, da poupa ao convés, do mastro ao topo de minhas velas. O casco estourou. A água esta subindo a cada segundo mais e já não sei mais se vou suportar.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dois mil, cento e noventa.

É estranho, mas ao mesmo tempo claro. Seria muita prepotência da minha parte esperar que fosse cortejado com uma salva de tiros? Haveriam flores no meu retorno - nos meus sonhos.

Me pego feito uma criança. Vislumbrei em braços alheios a felicidade almejada, mas me esqueci de algo sábio que ouvi de alguém um dia: procure a felicidade dentro de você, jamais dentro de um outro alguém. Deveria me envergonhar.

É triste ver que por fim se quer tivemos um começo para terminar uma história. Ou tivemos... Há alguns anos talvez. E eu a matei sem dó nem piedade - empunhei minha espada em seu flanco direito e depois rasguei-lhe a jugular, assim como se mata um animal. Me pergunto se por mal, mas sei que não.

Tanto tempo atras, tantas histórias pra contar... Mudamos, pouco ou talvez até que de mais.

E pensar: tudo estava tão perto de acontecer...

Senti saudade daquele seu sorriso meio que de lado - acanhado - e dos seus olhos tão cheios de esperança. Me parecias uma criança à primeira vista. De alma tão bonita e coração acolhedor, me sentia em casa - comia, dormir, punhas os pés sobre a mesa e sempre soube que seria um problema. Hoje, mais velho, pensativo. Vejo que cresci... Homem de barba feita, cabelos semi acabados, corpo mais robusto, mas ainda de coração mole. Enquanto que para mim ainda és aquela menina cheia de sotaque, com o rosto ovalado, cabelos lisos com franja, pele branca, mas hoje uma mulher.

Senti falta dos seus lábios cor-de-rosa, os olhos envolventes e seu toque macio que um dia me confortou. Senti falta das conversas divertidas e esperançosas, cheia de sonhos para guardar. Senti falta de você e a vontade de te encontrar me pegou.

Já pensou como seria? - aposto minha vida que já. Eu, um paulistano que saiu só uma vez sozinho da capital, desembarcando na cidade das frutas cítricas? - meus olhos se inundam de pensar. Tanto poderia acontecer... Um beijo, um "oi" sem graça, apenas uma troca de olhares desajeitados, um abraço cheio de carinho.

Queria te levar daqui... Talvez pra conhecer o mar - agora que sei que nunca vistes tal maravilha. Não teria palavras pra descrever o que é ver uma imensidão  d'água esverdeada em contrasta com o chão amarelado e o céu azul. Acho que somente Dorival saberia usar as palavras certas... Queria também te mostrar a explicação de Craig Thompson sobre o amor em árabe e o infinito mar cheio de ondas, afinal, assim entenderia o que digo quando te conto sobre eu, você e meu amor.