quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dois mil, cento e noventa.

É estranho, mas ao mesmo tempo claro. Seria muita prepotência da minha parte esperar que fosse cortejado com uma salva de tiros? Haveriam flores no meu retorno - nos meus sonhos.

Me pego feito uma criança. Vislumbrei em braços alheios a felicidade almejada, mas me esqueci de algo sábio que ouvi de alguém um dia: procure a felicidade dentro de você, jamais dentro de um outro alguém. Deveria me envergonhar.

É triste ver que por fim se quer tivemos um começo para terminar uma história. Ou tivemos... Há alguns anos talvez. E eu a matei sem dó nem piedade - empunhei minha espada em seu flanco direito e depois rasguei-lhe a jugular, assim como se mata um animal. Me pergunto se por mal, mas sei que não.

Tanto tempo atras, tantas histórias pra contar... Mudamos, pouco ou talvez até que de mais.

E pensar: tudo estava tão perto de acontecer...

Senti saudade daquele seu sorriso meio que de lado - acanhado - e dos seus olhos tão cheios de esperança. Me parecias uma criança à primeira vista. De alma tão bonita e coração acolhedor, me sentia em casa - comia, dormir, punhas os pés sobre a mesa e sempre soube que seria um problema. Hoje, mais velho, pensativo. Vejo que cresci... Homem de barba feita, cabelos semi acabados, corpo mais robusto, mas ainda de coração mole. Enquanto que para mim ainda és aquela menina cheia de sotaque, com o rosto ovalado, cabelos lisos com franja, pele branca, mas hoje uma mulher.

Senti falta dos seus lábios cor-de-rosa, os olhos envolventes e seu toque macio que um dia me confortou. Senti falta das conversas divertidas e esperançosas, cheia de sonhos para guardar. Senti falta de você e a vontade de te encontrar me pegou.

Já pensou como seria? - aposto minha vida que já. Eu, um paulistano que saiu só uma vez sozinho da capital, desembarcando na cidade das frutas cítricas? - meus olhos se inundam de pensar. Tanto poderia acontecer... Um beijo, um "oi" sem graça, apenas uma troca de olhares desajeitados, um abraço cheio de carinho.

Queria te levar daqui... Talvez pra conhecer o mar - agora que sei que nunca vistes tal maravilha. Não teria palavras pra descrever o que é ver uma imensidão  d'água esverdeada em contrasta com o chão amarelado e o céu azul. Acho que somente Dorival saberia usar as palavras certas... Queria também te mostrar a explicação de Craig Thompson sobre o amor em árabe e o infinito mar cheio de ondas, afinal, assim entenderia o que digo quando te conto sobre eu, você e meu amor.

2 comentários:

  1. eu me emocionei com sua saudade, vai vê é porque eu também tenho dessas saudades às vezes. não sei você mas sempre que eu escrevo cartas abertas assim eu fico com uma esperança de que o destino faça a pessoa ler e comentar hehe

    tu não imagina o quão feliz eu fico em ler um texto seu. não sei se isso é um retorno definitivo, mas eu prometo degustar cada linha de cada texto que virá (:

    beijas, meu bem!
    :3 ♥

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  2. Acho incrível pessoas que consegui ver beleza nas coisas simples da vida, são essas coisas simples que nós trazem felicidade e são poucas pessoas que enxergar isso. Não tem coisa mais bela que o mar, que transmite tanta paz dentro dos olhos de quem o ver. Saudade é algo tão imprevisivel, não tem como controlar, as vezes é bom sentir, mas as vezes só não queria que não doesse tanto. Belos textos.
    Beijos ❤

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