terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobre tática de guerra e algumas outras coisas.

Crescemos em um mundo lindo e cheio de promessas - ao menos, boa parte dos que conheço. Desde pequeno, nossos pais dizem que seremos alguém na vida, teremos um bom emprego, ótimos cônjuges… O que normalmente esquecem de nos contar é o que a vida não é tão bela depois que alcançamos uma certa idade.

Chega um momento onde é cada um por si.

Temos de estudar, trabalhar, nos dedicar aos nossos interesses - as vezes ao que não é de nosso interesse também. É aí que entra uma parte importante e boa no nosso percurso: formar alianças.

Uma andorinha só não faz verão - ainda bem - , e se fizesse teríamos espalhados por aí diversos exemplares de pessoas arrogantes, prepotentes, “auto suficientes” - e ainda assim, posso apontar alguns desse tipo. Não importa qual seja o objetivo e a quem atribuímos esse dever. Seja para ter uma companhia nas horas vagas, alguém que te dê carinho quando precisar, um contato que vai fazer você expandir seus horizontes profissionais… toda relação tem um ponto de interesse. E novamente os nossos pais - lembram deles? - acabam por não nos mostrar na pele o que é o sentimento de decepção.

Sempre achei que acumulei por aí diversas alianças, mas com o passar dos anos noto então que na verdade esteja quase sozinho.

Talvez seja culpa do meu signo, que do sagitário só aflorei a parte de cavalo - curiosidade: meu signo chinês também é cavalo haha. Mas agora, que estou prestes a completar vinte e cinco primaveras, que noto o quanto estive enganado.

A confiança e a fidelidade são sentimentos que levamos meses, muitas vezes anos, até conquistarmos ou deixar que conquistem em nós, mas o sentimento decepção é a maior arma nessa guerra. Fazendo uma analogia tosca, imaginem que a confiança é Napoleão Bonaparte e podemos chamar a fidelidade de Adolf Hitler. Ambos poderosos, fortes o suficiente e confiantes de que durariam para sempre… até o momento que decidiram invadir a mãe Rússia em pleno inverno. Pois é… o inverno russo aqui representa a decepção. Não importa qual seu tamanho, quantos homens e mulheres apoiam sua causa, quantos cavalos e espadas ou soldados munidos de armas altamente letais. A o frio do inverno russo - ou da decepção - vai aniquilar suas tropas, assim como hoje fez com Napoleão (confiança) e Hitler (fidelidade).

Nenhum soldado seu suportará o frio que chega a congelar vossos corações.

Aos mortos e feridos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Um ensaio sobre a cegueira.

Dias melhores virão - dizem isso por aí, mas o que esquecem de dizer é que os ruins costumam vir com mais frequência.

A vida veio me pregando peças no decorrer deste ano. Sozinho, vagava a esmo de esquina a esquina procurado algo pra me distrair; o que ontem considerei um a profissão, havia se tornado um peso em minha vida; até mesmo meu maior sonho, junto de pessoas que depositei tanta esperança, pegou carona na última nave enviada a Marte para confirmar a existência de água líquida no planeta vermelho - (risada irônica). A sensação de impotência prevaleceu.

Aos poucos, fui ajeitando a casa. Limpei as janelas, varri o chão empoeirado, vedei as goteiras... Até pendurei bebedouros para os beija-flores. Não porque isso me acalma ou porque talvez goste de ver tudo arrumado.

Agora tinha visita.

Acredito muito no poder do pensamento. Aquele lance meio esotérico, meio estranho, meio bossa nova, meio rock n' roll - haha. Creio piamente que o que plantamos será exatamente o que colhemos e - meio que sem ver - me vi semeando meu jardim com coisas boas. Começou com uma bobeira, um sábado qualquer, que virou meus planos de cabeça para baixo.

A fim de curiosidade: na religião hebraica, o sétimo dia do Gênesis, é chamado de Shabat (שבת). Nesse dia, os adeptos ao judaísmo tiram um dia de 'descanso', onde se dedicam ao estudo e melhoramento do seu ego - meio leigo e talvez brevemente equivocado, mas foi o que entendi após uma breve explicação que recebi de um judeu.

Pensando assim, mal sabia eu que naquele sábado minha vida começaria a mudar de rumo.

Com o ambiente ajeitado, tornei a abrir as portas e as janelas pra te ouvir cantar e o que achei que seria só uma curta visita, se tornou uma constante agradável.

Veio pra perto de mim e me confortou. Me mostrou o lado bom de coisa que só enxergava escuridão e me deu forças pra seguir com o que tanto já amei até hoje.

Impressionantemente, a nova onda de bons pensamentos deixaram de ser só pensamentos e começaram a mudar o rumo das coisas ao meu redor - até consegui um emprego promissor na minha carreira.

Sei que esta longe do final do ano e bem longe de onde meus planos vão para o meu futuro ao lado da minha constante, mas acho que já posso começar a agradecer - não?

Dizem por aí que o amor é cego e não sei se sou do tipo que concorda - talvez até seja. O que sei, de verdade, é que essa cegueira me fez enxergar o lado bom da vida.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Longo prazo.

Há anos venho procurando um bom lugar para dedicar meu tempo e dinheiro. Confesso que ao ver algumas propostas meus olhos brilharam, mas depois de certo tempo só restou estrada, pó e eles marejados. Com o passar dos anos comecei a aceitar a seguinte situação: vou terminar pobre - o famoso aceita que dói menos - e, enfim, a vida foi seguindo.

Até que chegou um momento onde me vi de fato aceitando tudo isso. Só queria saber de sair por ai, gastar meu dinheiro a esmo, dedicar meu tempo às coisas banais, procrastinar e profanar a dedicação alheia aos seus sacrifícios para arrecadas fundos e investi-los em algo maior - confesso que soa meio estranho ler isso sobre mim mesmo.

Bom, após meses nessa vida louca, enfim chegou o inverno. Gosto do inverno, sabe? Para mim, é uma época ótima para dedicar seu tempo a você mesmo. A meta: me enfiar em casa, tocar e compor o maior número de novas canções possíveis. Como nada na minha vida faz sentido, um dia decidi me arriscar ao sair em uma noite fria para tomar pints e mais pints de cerveja estupidamente geladas. Sabia que seria uma 'aventura'.

Um olhar fuzilante ao me receber e uma certa distância de uns dois palmos ao sentarmos na mesa, mas nada que algumas horas de boa conversa não fizessem mudar tudo. Sai para tomar cerveja gelada, mas voltei pra casa com o coração quente - você não sabe, mas te apelidei de camomila (te explico uma hora dessa) - e, por incrível que pareça, sentindo falta de algo. Talvez tenha sido teu sorriso sempre aceso ou o fato de que com o tempo você se aproximou e me esquentou do frio que vinha da janela ou a graça de como me interessam o seus desejos mais banais - como, por exemplo, a forma que se encanta com a ideia uma cama... elástica ou não.

Sabe quando você perde o rumo das coisas? Quando tudo que estava meticulosamente planejado sai do controle e vira de ponta cabeça? Sabe quando nada faz sentido? Pois então... falando em coisas que não têm sentido: aposto que você não reparou, mas sabe essa música que está tocando enquanto você lê esse texto? É uma música de uma banda que gosto muito - aquela que você criticou no primeiro dia que nos vimos, lembra? - e nela ele diz: Não me pare agora, porque eu estou me divertindo. E sou bom em fazer as coisas não fazerem sentido então vou continuar... Queria te dizer que pensei bastante sobre tudo isso e algumas coisas mais e cheguei a uma conclusão: espero que você tenha vindo para ficar. Como já te disse, gosto de dar nomes as coisas, mas acho que não preciso deixar uma pergunta explícita aqui... é só você me olhar agora e falar que sim ou que não - por favor, não diga não porque seria foda.

Ps: Ela disse sim

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Um abraço ao acaso.

Sabe aquele tchau com gosto de quando vou te ver de novo? É engraçado. Me peguei ontem, por aí, rindo - na verdade sorrindo - pro acaso. Por mais que já tenha falado sobre ele, nessas idas e vindas do meu coração, fiquei espantado do quão esse meu antigo inimigo hoje tenha se tornado um aliado.
A gente põe muito peso nos acontecimentos, sabe? Uma dramaticidade um tanto quanto grandiosa nas coisas que na verdade são só vontades internas e não correspondidas. Já por outro lado, o acaso chega cheio de si e te mostra com uma nova ótica novos campos que você jamais sonhou alcançar e isso pode soar bem estranho - ao menos pra mim soa.

É muito daquela rotina que foi quebrada, por acaso, onde você tem o costume de pegar o ônibus na volta para casa às 20h, sentar ao lado esquerdo, bem na janela, e não se importar com o resto da viagem. Só que aí, por um instante, você se depara com algo diferente. Sou extremamente adepto aos rituais banais da vida, sabe? A organização, o tempo de maturação e a forma com que esses processos levam a um resultado extremamente satisfatório. Em sua plenitude, a delicadeza e a forma com que trabalhamos em algo dedicando nosso tempo, atenção e carinho tendem a nós proporcionar uma felicidade genuína. Há dias que venho tentando achar as palavras certas para falar sobre isso de uma forma menos banal do que estou habituado, mas no final sei que vou acabar caindo em mais algum cliché - risos.

Falando em rituais, vocês já fizeram chá da forma certa que deve ser feita? Pode parecer que nada disso faça sentido, mas isso é assunto pra outro texto.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Enfim, limpo.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que foi difícil de limpar esse guardanapo todo rabiscado. Nele tinha escrito alguns versos para o vento. Contei de como andava minha vida, que anda tão bagunçada, tão desprevenida, cheia de marcas. A única caneta que tinha em mãos era uma porosa, que conforme pressionava com tristeza nessa fina folha de papel, manchou algumas linhas. Então não estranhe se ao ler você pouco entendeu. Eram versos simples sobre nós, espaçados, distantes, feito o caminho até você. Juro que tentei assoprar pra te poupar de tudo isso e ver se sumia, mas só fez com que ele voasse até você. Há tempos que venho contando histórias tortas aqui e acolá, mas quem viu de perto soube que dessa vez foi algo sério. Mas voltando a falar do que havia escrito - sabe quando algo te toca e te deixa firme? Foi essa sensação de porto seguro que me fez perder a sanidade e agir como um garoto. Talvez tenha sido estranho, talvez, um pouco estúpido da minha parte, mas prefiro acreditar que fui ingênuo. Afinal, quem é que não sonha em ser plenamente feliz? Não te culpo, mas não acho que devo assumir o erro sozinho. Um mero deslize do acaso, presumo eu - é que os últimos dias, foi difícil de se enxergar. Entre mergulhos fundos num copo cheio de álcool e tragos e mais tragos nos meus cigarros que queimavam feito folha seca, resumi minha dor em tristeza para outro dia... e ela passou. Talvez por uns dias, por uns meses, mas mesmo que só por instantes, isso fez eu me sinto melhor. O gosto da saudade foi massante e desagradável, feito esse texto que me propus a escrever pra ver se conseguiria terminá-lo bem, ou ao menos são. Enfim... se lembra do guardanapo? Foi difícil, mas depois de ter seco minhas lágrimas com ele a tinta tingiu o papel e finalmente não dá para ler mais nada. Mas se preferir, posso queimá-lo e seguimos como se nada disso tivesse acontecido.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Despedida.

Não espero que mude e nem que se mude. Não espero que esqueça todos os momentos bons que viveu ontem por aí e nem que me diga que eles não foram tão bons quanto ao meu lado. Não espero que entenda minha urgência, mas que perceba que eu andei tentando. Não espero que esse texto mal escrito te salgue os olhos e nem que marque sua vida. Não espero que a gente volte atrás depois disso, nem que o carinho entre nós mude. Não espero que pense nas situações engraçadas e constrangedoras que poderíamos ter passado juntos, nem nos dias de frio debaixo da coberta. Não espero que acredite que a morada que fez em mim desmoronou do dia pra noite e nem que eu comecei a olhar para o mundo com outros olhos. Não espero que cante uma música com pesar ao se lembrar de mim e nem que vá ao show da minha banda procurando me encontrar. Não espero que aceite e nem que simplesmente me ignore.

Espero que esteja bem onde for, quando for e com quem for. Que explora de felicidade ao lado de quem te faz bem e continue destilando pelo mundo sua alegria que é tão contagiante. Que supere os problemas quando não estiver por perto para te dar um ombro pra molhar. Que continue sendo a pessoa mais linda que tanto fez meus olhos brilhar.

Não espero que espere algo diferente de mim, porquê, afinal, de esperanças não consigo seguir. E por mais que a esperança é a última que morre, nesse velório, espero que esteja bem.

Espero também que, se isso fez doer, aceite minhas desculpas sinceras. Mas, no fundo, eu gostaria de poder te dizer que espero poder te esperar até que a última fagulha de esperança brilhe nesse escuro sabendo que essa esperança não vai, em mim, fazer doer por não saber te esperar.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Parafraseando.

Lembra que outro dia falei do acaso? Pois então... Por acaso, hoje acordei pesando em você. É tudo meio estranho, sabe?

Como será que é acordar ao lado de quem a gente quer por perto? Fico aqui pensando como será que é o seu cheiro, seu gosto, a textura da sua pele. Como reagiria a cada beijo roubado, a cada toque e como seria seu olhar a cada vez que cantasse pra ti uma das milhões de músicas que me fazem lembrar você.

Queria te olhar no fundo dos teus olhos enquanto canto aquela música que escrevi só pra ti - será que é pedir de mais? Sei que pode parecer meio estranho tudo isso, posso soar meio afobado, mas um dia ouvi que quem não sonha não tem o que realizar. Sabe aquele amor de infância que parece que tu vai levar pro resto da vida e se tu não tomar uma atitude ele só vai se tornar uma lembrança boa de algo que nunca aconteceu? É a angústia dessa sensação que me faz agir estranho assim. Pensar que amanhã posso estar, ao lado de alguém que não é você, fechando um laço que não deve ser desfeito me aperta o coração. Falando em coração, por acaso, o meu bate forte quando penso em quantas foram as vezes que poderia ter te encontrado. Quantos anos batendo em ponta de faca procurando por algo que só vejo em você.

Talvez seja só essa euforia de ver que após anos e mais anos te vejo com os mesmos olhos de ontem ou talvez eu simplesmente ame essa ideia de te amar plenamente, como nunca amei ninguém.

Como você mesma disse: não sei qual é o nome que devo dar para essa sensação, mas nunca senti isso por ninguém. Talvez ame isso pelo simples fato de saber que nunca senti algo tão bom. Um amor livre como um Deus, assim como diz Nando Reis, que aprendi vendo os meus pais. Pleno, certo e verdade, sabe? E eu sei que vão me julgar, me chamar de louco e utópico, mas eu sei que do nosso amor a gente é quem sabe, pequena.

Por fim, parafraseando Nelson Motta: nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som. Feito algo que nasceu imperfeito pra dar certo. É só você me deixar ir te buscar, porque no final o acaso vai nos proteger enquanto andarmos distraídos com as pequenas que acontecem entre a gente.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Tiveram, têm e terão.

Ela tem um caso.
Ele tem um peito vazio.
Ela tem um cachorro.
Ele tem uma guitarra.
Ela tem um gosto peculiar sobre uns bares da cidade cinza.
Ele tem vontade de voar daqui.
Ela tem olhos grandes e bonitos.
Ele tem barba e alguns cabelos brancos.
Ela tem uma lembrança dele ao ouvir uma música sobre amigos e algo mais.
Ele tem um gosto agradável na boca quando se lembra do gosto das orquídeas.
Ela tem a pele branca e macia.
Ele tem saudade do calor dos braços dela.
Ela tem um perfume que o lembra algo bom.
Ele tem lembranças de como ficou hipnotizado pelo perfume adocicado dela.
Ela tem um coração cheio de ambições,  grande o suficiente pra caber o pouco que sobrou dele ali dentro.
Ele tem carinho e afeto por ela e a certeza de que isso nunca vai morrer.
Ela tem o gosto doce da água.
Ele tem a oscilação de temperatura do óleo 

Eles têm, de uma forma diferente, talvez errada, mas têm, dentro deles algo que ninguém jamais poderá mudar. Quer o tempo queira passar, quer as dores queiram doer, quer os outros queiram mudar. Ele têm um ao outro por ontem, por hoje e pelo amanhã.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Janelas abertas.

Tem dias que me perco por ai enquanto caminho pensando em coisas aleatórias que a vida nos dá. Vou longe, tão longe que é estranho não lembrar qual foi a última esquina que dobrei ou por quantas quadras passei até chegar nesse lugar que não conheço. As fachadas são estranhas, as pessoas são estranhas, o cheiro dessa rua é estranho. A sensação de estar sozinho é perturbadora, dói no peito feito um golpe de mão fechada no meio da boca do estomago, me falta o ar e a visão começa a ficar turva quando então você perde o chão. A parte mais estranha é quando nesse relapso de luto você se depara com um rosto familiar, alguém que não via há muito tempo... É tão bom ter quem te guiar quando não se sabe pra onde vai. O chão tornou a aparecer sob meus pé, o ar voltou a encher meus pulmões e tudo que me causava estranheza e uma leve fobia se transformou em algo normal, inofensivo. Honestamente, espero que tenha te encontrado dessa vez pra você ficar pra sempre.

Por um tempo me peguei pensando se tudo estava seguro, se usava roupas, se tranquei a porta de casa. Foi ai que me lembrei que tranquei sim, e sai pela janela.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Carta aberta ao vento.

Sonho com você e com o dia que poderei sonhar ao seu lado, - pra falar a verdade, já faz tanto tempo - sabe? Nem me lembro de como tudo começou, mas já considero o acaso é um velho amigo meu. Não sei dizer como te conheci, nem quantos anos tinha, nem se já tinha uma música pra cantar enquanto pensava em você - acredito também que nunca musiquei algo escrito pra ti. Acho engraçado essa coisa, sabe?

Começou pequena, talvez, e veio crescendo e crescendo, ganhando forma, gosto, cheiro... até que um dia então morreu. Sumiu feito fumaça no vento, caiu feito um castelo de cartas, tipo um doce que estragou. Levou muito tempo, muito tempo mesmo, pra acontecer de novo. Novamente, não me lembro quanto tempo - risos - e nem sei se isso é bom ou ruim, mas me faz bem. Vivi pelas ruas no tempo da sua ausência. Andei por ai, conheci ótimas pessoas, ganhei bons amigos, adquiri novos vícios, guardei boas memórias e então um dia decidi te procurar - dessa vez com vontade de achar... e achei. Por sinal, mandei um abraço para o Acaso nesse dia. Fiquei parado ali, olhando pra você, sem saber exatamente o que fazer. Você mudou tanto, não sei dizer onde, mas continua fazendo meus olhos brilharem. Sabe o que é pensar em alguém com tanto carinho que isso te causa até estranheza? Pois é... Queria te mostrar de alguma forma palpável tudo isso.

Ano passado, passei duas vezes por sua cidade. Longe de casa, num lugar que não sabia nem o nome da avenida principal, minha única vontade foi te ligar pra te dar um "Olá", talvez um "Ei, quer tomar um café comigo?", quem sabe algo como "Vem comigo, estou subindo a serra" - mas no fundo sei que tive medo de te ver andando pela rua e ficar com vontade de não ter mais vontade de voltar pra casa. Já disse que acho isso bem estranho?

E quando me contou que viria morar aqui? Meu coração quase pulou pela boca! Depois me disse que não viria mais... e ele tornou a quase pular pela minha boca novamente - risos. Passado um tempo, disse que viria me visitar, mas maldito fora seu dentista. Entre idas e vindas na minha garganta, a única coisa que posso relatar é que ficou um gosto de algo que me parece doce, mas não teve tempo de ser - sabe?

Quando a gente acha que algo tem tudo pra dar certo, mas não é a hora certa? Nunca te contei, mas não sou bom em decorar nomes de pessoas que acabei de conhecer, nem datas, e também não sei calcular a hora que vou chegar. Mas quando for a hora, me chama por que eu estou esperando faz um tempo.

Vazio.

Ando procurando por algo, algo que não sei o que é e talvez metade disso já não me valha. Ando procurando pelo acaso, pelo encanto casual e eu sei que nem a metade me serviria bem. Encontrei no meio do peito um espaço que me parece estar preenchido com algo, talvez matéria negra - já ouviu falar?

Ando falando por aí, bem alto, praguejando o amor e julgando a saudade. Rindo de quem vem me julgar. Talvez não queiram mais me ver por ai. Ando andando em passos tão largos, tão largos que talvez eu não possa te esperar e eu sei que o jeito deva ser sumir daqui.

Confesso que ando me sentindo estranho, logo eu que jamais falaria mal do amor, que sempre sonhou com o final feliz. Ando me perdendo nos acasos, negando chances onde poderiam dar. Talvez já tenha aceitado o fim onde termino assistindo algum filme triste na televisão enquanto minha irmã e meu cunhado vêm me visitar e meus sobrinhos correm pela casa.

Eu ando vazio no vazio que hábito.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Um café e um pouco dela, pra viagem.

Hoje senti algo um tanto quanto estranho. Confesso que evitei te reencontrar, honestamente. A vida está me guiando por caminhos que não apresentam placas de retorno e venho seguindo nessa estrada por que sei que lá na frente há algo maior a me esperar, mas no fundo não fiz esforços pra parar no acostamento por alguns instantes. Sabe, houve um tempo em que guie por ai buscando encontrá-la pelo caminho. Confesso... Por acaso hoje, em alguns segundos de loucura, decidi olhar pro lado e te vi por lá. Parei, senti e te olhei nos olhos - e poxa vida, que olhos lindos essa garota tem. As pupilas dilatadas pela meia luz, sardas colorindo seu rosto e os cabelos ondulados num tom castanho quase mel - talvez fosse só a iluminação do ambiente. As horas voaram, feito a minha atenção enquanto admirava as histórias cômicas que me contou e a forma como movia os lábios enquanto me falava sobre elas. Olho pra ela e sinto que é aqui que devo me encostar e de ti fazer minha morada... Mas, poxa, somos tão diferentes se nos vermos de perto. Sonho em ter filhos, sabe? Gostaria que pensasse mais sobre isso, afinal, eles seriam lindos se nascessem com teus olhos, tua pele, tuas sardas, teu jeito - já pensou nisso? Enfim... Talvez seja pura loucura ou devaneio, mas hoje senti metade de medo e a outra metade foi pura saudade. Vontade de acordar todos os dias de manhã, te olhar nos olhos e dizer quão feliz você me faz.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Morada.

Quero uma casa com cheiro de sal, a brisa entrando pelas janelas balançando a cortina e o sol leve da manhã aquecendo os cômodos. Quero andar por ai com pés descalços, olhar pro infinito e só ver o azul e o verde se mistura e ouvir a onda quebrar. Quero a paz, quero a sombra, quero uma cerveja e meu violão. Quero café preto de manhã e o cheiro de camarão frito na cozinha. Quero uma casa que possa chamar de lar, de frente pro mar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Portas fechadas.

Há quem me pergunte "mas, por quê?". Não importa o quanto eu tente titubear, a resposta acaba sempre caindo em algo que soa como "não sei". Um bom amigo me disse "Pode ser a melhor coisa do mundo, se não há de ser não será. Por mais complicado que possa parecer, as coisas acontecem como devem acontecer. Por mais que lutemos contra, esquecemos que o destino tem seu próprio rumo". Houve também um curto comentário, mas que me fez parar para pensar por um tempo, algo como "Talvez você só precisava fechar o capítulo que deixou aberto há anos atrás e depois de tentar notou que não seria como aquele garoto de 17 anos imaginava". Acreditem ou não... dói. A dor de não saber o que está fazendo machuca tanto quanto as palavras que foram ouvidas. Há quem vai me julgar - canalha, mentiroso, apático, oportunista - mas isso pouco me importa. Talvez não tenha muito mais o que ser dito ou feito, a melhor ou pior escolha que já fiz foi tomada e exposta. Prefiro deixar para amanhã essa água que vem pungente aos olhos com gosto de mar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Desbotou.

As coisas andam meio esquisitas. O mundo parece girar e girar enquanto eu estou estagnado em um canto isolado de todo o resto que acontece por aí... talvez seja uma dessas crises de meia idade

As crianças já cresceram e vivem suas vidas de gente grande; não importa o quanto eu mude de trabalho, todos parecem iguais; com os anos as contas só aumentaram; o amor que tinha por ela hoje está prestes a acabar; na rua procuro um ponto de vista diferente de antes, mesmo não tendo sucesso. Onde será que estou errando?

Talvez tenha designado a ela um papel que ela não conseguirá cumprir - o de me fazer feliz. Com certeza vocês já ouviram a frase "só se vive uma vez" - mesmo eu não acreditando nessas palavras - sinto-me abrindo os dedos e enxergando minha vida correndo dentre eles.

Talvez tenham sido minhas expectativas ao escolher o curso tão sonhado na faculdade - acreditava mesmo que isso me faria feliz. Toda a responsabilidade, o glamour, o orgulho e prestígio... no final das contas, nada mudou.

Talvez tenha sido minha desatenção ao ver os anos passarem e não me importar com as primaveras passando. Nunca reparei as folhas se desbotado até caírem no chão e depois surgirem novas, vivas.

Talvez o que me falta é vida, apenas uma boa razão pra levar tudo a diante, o que me faça acordar com vontade de te dizer "bom dia, como vai você?".

Acredito que fui levando, só levando.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Relatos fúteis sobre uma causa não compreendida.

Como seria se amanha acordassemos sozinhos? Tem vez que me pego de mente cheia e sinto o peito vazio. De esquina a esquina me deparo com um bom motivo pra sorrir, vejo por ai coisas que me fazem os olhos brilharem. Talvez seja apenas meu encanto por coisas novas, ou o meu bom e velho desencanto. Companhia de longa data, me segue há anos, talvez tentando me mudar de idéia e abandonar o que é certo. As companhias de outras primaveras também me batem ao peito... o gosto do chocolate e os relatos de um filme que não acabou como era prometido pelo roteirista. Certamente sei que talvez não haja por ai quem mais queira o meu bem, mas como seria se amanhã eu acordasse sozinho?