segunda-feira, 28 de abril de 2014

A carta aberta do último tripulante.

Há dias que me pego vagaroso em memórias. A tempestade lá fora vem me trazendo pesadelos... Tive insônia na noite passada, seguida de náuseas e uma dúzia de sentimentos ruins. Bebo para me salvar de tamanha turbulência, mas nem mesmo minha garrafa de rum favorita segurou esse maldito enjôo. Rezo para que consiga chegar ai onde o chão é de terra, terra firme. Sinto falta de me deitar sobre a grama e sentir o calor do sol em meu rosto, não suporto mais comer peixe e tomar dessa água salubre. Vou aportar o meu navio na porta da sua casa pra quem sabe daqui algum tempo nós tenhamos um pomar. Sinto falta de seus beijos, do abraço apertado e da cama quente que não tremula sobre as onde enquanto dormimos juntos. Maldito seja eu mesmo pelo dia que me submeti a essa embarcação. Não queria te contar, mas as coisas não vão bem. Meus homens cansaram de lutar contra as forças Iemanjá. Vejo corpos por todos os lados, da poupa ao convés, do mastro ao topo de minhas velas. O casco estourou. A água esta subindo a cada segundo mais e já não sei mais se vou suportar.

Um comentário:

  1. e quando tu não suportar mais, te trarei um bote salva vidas! ;)

    beijas, meu bem!
    <3

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