quarta-feira, 27 de maio de 2015

Enfim, limpo.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que foi difícil de limpar esse guardanapo todo rabiscado. Nele tinha escrito alguns versos para o vento. Contei de como andava minha vida, que anda tão bagunçada, tão desprevenida, cheia de marcas. A única caneta que tinha em mãos era uma porosa, que conforme pressionava com tristeza nessa fina folha de papel, manchou algumas linhas. Então não estranhe se ao ler você pouco entendeu. Eram versos simples sobre nós, espaçados, distantes, feito o caminho até você. Juro que tentei assoprar pra te poupar de tudo isso e ver se sumia, mas só fez com que ele voasse até você. Há tempos que venho contando histórias tortas aqui e acolá, mas quem viu de perto soube que dessa vez foi algo sério. Mas voltando a falar do que havia escrito - sabe quando algo te toca e te deixa firme? Foi essa sensação de porto seguro que me fez perder a sanidade e agir como um garoto. Talvez tenha sido estranho, talvez, um pouco estúpido da minha parte, mas prefiro acreditar que fui ingênuo. Afinal, quem é que não sonha em ser plenamente feliz? Não te culpo, mas não acho que devo assumir o erro sozinho. Um mero deslize do acaso, presumo eu - é que os últimos dias, foi difícil de se enxergar. Entre mergulhos fundos num copo cheio de álcool e tragos e mais tragos nos meus cigarros que queimavam feito folha seca, resumi minha dor em tristeza para outro dia... e ela passou. Talvez por uns dias, por uns meses, mas mesmo que só por instantes, isso fez eu me sinto melhor. O gosto da saudade foi massante e desagradável, feito esse texto que me propus a escrever pra ver se conseguiria terminá-lo bem, ou ao menos são. Enfim... se lembra do guardanapo? Foi difícil, mas depois de ter seco minhas lágrimas com ele a tinta tingiu o papel e finalmente não dá para ler mais nada. Mas se preferir, posso queimá-lo e seguimos como se nada disso tivesse acontecido.

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